Cortando o Brasil de norte a sul com ferrovias

Marisa Fonseca Diniz

O território brasileiro possui 8.514.876 km² o que poderia ser mais bem aproveitado se houvesse investimentos maciços do governo federal em infraestrutura ferroviária. Com um território tão amplo e com tantas diferenças culturais, não seria nada mal se o país fosse cortado de norte a sul por ferrovias, o que poderia aproximar e muito a população mais afastada dos grandes centros ao  desenvolvimento.

Trilhos

Atualmente a malha ferroviária nacional é composta por 30.129 km², minúscula se comparada com países como o Japão e os Estados Unidos. Deste total pelo menos 10.000 km² foram construídos no século XIX na época do Imperador Dom Pedro II, de lá para cá muito pouco foi investido para ampliar a malha ferroviária, a falta de investimentos e as crises econômicas enfrentadas no Brasil fizeram com que 4.078 km² fossem desativadas. As primeiras ferrovias no Brasil foram construídas com capital estrangeiro, principalmente o inglês que almejava um sistema de transporte eficiente e seguro capaz de ligar os grandes centros aos portos do país, a fim de escoar a produção agrícola e o minério extraído do interior do país.

Estrada de  Ferro Mauá

Em 1852, o Visconde de Mauá recebeu do império a concessão para construir e explorar uma estrada de ferro que ligaria o Porto de Estrela no Rio de Janeiro a Raiz da Serra próximo a Petrópolis, nascia assim a Estrada de Ferro Mauá, inaugurada em 1854 pelo Imperador D. Pedro II. Muitas outras ferrovias surgiram no país, tais como a Recife-São Francisco, a Bahia-São Francisco e Santos-Jundiaí da Railway Company, o que facilitou o transporte de produtos e pessoas, porém estas estradas hoje se encontram desativadas.

A partir da década de 1940 começou o processo de estagnação, que se acentuou com as políticas governamentais de que o progresso exigia a construção de rodovias.  A partir de 1980, a administração pública divulgou a ideia de um sistema ferroviário capaz de substituir o transporte rodoviário para cargas pesadas, e ignorou por completo o transporte de passageiros.

Estrada de Ferro Carajás

A Estrada de Ferro Carajás inaugurada em 1985 com 890 km de extensão é um bom exemplo de como os investimentos empregados nas ferrovias no Brasil são insignificantes. A estrada de ferro que liga Carajás no sul do Pará ao porto de São Luís no Maranhão foi construída com investimentos bem abaixo dos divulgados na época do seu projeto.

Há necessidade iminente de expandir a malha ferroviária brasileira para que o transporte de minério de ferro e grãos seja feito de maneira segura e rentável. A comparação  entre o transporte rodoviário e ferroviário é bem simples, uma carreta transporta em média 30 toneladas de carga, enquanto um trem 3 mil toneladas, apesar de alguns governantes acharem que  construir trilhos é caro, ainda assim é 20% mais barato do que construir rodovias, além do impacto ambiental ser menor. O mesmo acontece com o transporte de passageiros, que poderia ser ampliado com linhas turísticas e  proporcionar um passeio mais barato e repleto de belezas naturais.

Belezas naturais

Enquanto medidas de expansão do transporte de passageiros não são feitas continuaremos pagando passagens rodoviárias e aéreas mais caras, e continuaremos tendo transporte ferroviário urbano precário e mal conservado, além de continuarmos na esperança de que o trem bala saia do papel e tantas outras promessas.

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Licença Creative Commons O trabalho Cortando o Brasil de norte a sul com ferrovias de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniz.wordpress.com/2015/06/04/cortando-o-brasil-de-norte-a-sul-com-ferrovias/.

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