Obra faraônica no coração da floresta amazônica

Marisa Fonseca Diniz

A Floresta Amazônica está localizada ao norte da América do Sul sendo dos seus 7 mil km² espalhados por territórios do Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A maior parte da floresta encontra-se no território brasileiro nos estados do Amazonas, Amapá, Roraima, Acre, Pará e Rondônia. A floresta amazônica é considerada uma das mais importantes florestas tropicais do mundo devido à riqueza da sua biodiversidade.

Floresta

O solo é formado pela decomposição de folhas, frutos e animais mortos, e apesar de não ser considerado muito rico possui uma camada muito fina de nutrientes, além de ser o ambiente perfeito para o equilíbrio do ecossistema. O clima na região é equatorial, onde as temperaturas são elevadas e o índice pluviométrico também.

Atualmente, a floresta amazônica enfrenta sérios problemas referentes ao desmatamento ilegal e predatório, o que vem provocando desequilíbrio no ecossistema da região colocando em risco a floresta.

A biopirataria é outro problema que a floresta enfrenta, pois cientistas estrangeiros, sem autorização das autoridades brasileiras, entram na floresta e roubam espécies nativas de plantas e animais. Levam para seus países, pesquisam, desenvolvem substâncias, patenteiam e depois lucram com as espécies brasileiras como se fossem nativas de seus países. Ironicamente, o Brasil é obrigado a pagar para utilizar as matérias-primas nativas do seu território para os outros países que detêm a patente.

Biopirataria

A descoberta do ouro na região, principalmente no Pará vem contaminado diversos rios com o mercúrio utilizado na extração e consequentemente os peixes acabam morrendo. Durante muito tempo a floresta amazônica foi chamada de “pulmão do mundo”, mas devido os diversos problemas que tem enfrentado este apelido acabou sendo deixado de lado. Os processos de filtragem e regeneração do ar, bem como a regulação do ciclo hidrológico são de grande importância na floresta amazônica.

Mediante todos estes problemas enfrentados pela floresta existe um que tem chamado atenção desde a sua criação, que é a Rodovia Transamazônica ou Rodovia da Integração Social (BR-230). Foi projetada na época do governo militar de Emílio G. Médici (1969 – 1974) para integrar a região norte do Brasil com o resto do país. Um dos objetivos principais era permitir a transferência de um grande contingente de trabalhadores da região nordeste que enfrentavam  problemas de terra na região.

Transamazonica 1974

Foto: Acervo O Globo

A colonização foi subvencionada pelo governo militar, e com a abertura da rodovia transamazônica houve um estimulo de investimentos para a exploração mineral, principalmente advinda do estrangeiro.

O projeto inicial da rodovia era de  5.240 km de extensão e ligaria a cidade de Estreito no estado de Goiás até a fronteira do Peru. O objetivo era conectar as regiões norte e nordeste, porém a obra faraônica foi interrompida em Lábrea no Amazonas totalizando 4.223 km de extensão, dados da sua inauguração em agosto de 1972.

O interessante é que a rodovia é uma verdadeira aventura, pois liga a cidade de Cabedelo na Paraíba à Lábrea no Amazonas cortando  outros cinco estados: Ceará, Piaui, Maranhão, Tocantins e Pará. Classificada como uma rodovia transversal ela não é totalmente asfaltada, principalmente nos estados do Pará e Amazonas.

A rodovia nunca foi terminada no período da ditadura militar e nem mesmo depois nos outros governos. Os motoristas que trafegam pela rodovia acabam se arriscando, pois a sensação que se tem é de estar atravessando uma trilha aberta na mata. Onde não há sequer qualquer tipo de sinalização e o asfalto só existe em alguns trechos.

Transamazonica_1

Durante o verão, a poeira toma conta da estrada e é muito comum encontrar tratores efetuando reparos para amenizar os estragos causados nos eixos dos veículos. Nos meses de chuva, a rodovia mais parece um atoleiro. O tráfego constante de caminhões e as chuvas destroem por completo o pouco que sobra dos consertos feitos em tempo de seca.

Transamazonica_3

Os atoleiros tornam o frete caro não compensando aos caminhoneiros fazer o transporte, além do mais os prejuízos causados aos veículos são altos sem contar os dias de espera por um reboque. Porém, as  pessoas que gostam de praticar rali na selva, a rodovia Transamazônica é o lugar ideal.

Transamazonica_2

O interessante é que o valor gasto para fazer 4073 km da rodovia foi de 1,5 bilhões de dólares na época do início do projeto, ou seja, mais 7,7 bilhões de dólares hoje. Dinheiro jogado fora e que não trouxe o tão esperado desenvolvimento para a região.

Em 40 anos da construção da rodovia mais 66% do total de pessoas que vivem na região não tem água encanada, 27% não têm sequer instalações sanitárias, e o número de analfabetos corresponde o dobro da média nacional. O interessante é que se esta obra tivesse sido feita na Europa, a rodovia cortaria todo o continente de Lisboa a Kiev, na Ucrânia.

Mapa Br 230

Que vergonha, um país que necessita de vias de acesso para levar o desenvolvimento as regiões mais longínquas, e que não mede esforços para jogar dinheiro no ralo, quando não é através da corrupção é através da falta de planejamento adequado.

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Licença Creative Commons
O trabalho Obra faraônica no coração da floresta amazônica de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniz.wordpress.com/2015/04/01/obra-faraonica-no-coracao-da-floresta-amazonica/.

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