Glacê ou asfalto?

As vias e rodovias de acesso das cidades brasileiras mais parecem glacês e não asfalto, qualquer intempérie faz com que o asfalto derreta e as vias se transformem em grandes panelas.

Buracos (panelas), trincas

A falta de qualidade em obras de recapeamento asfáltico no Brasil é de dar medo a qualquer um. Não há qualquer tipo de comprometimento com a segurança, o que é alarmante. Grande parte das empresas responsáveis pelas obras de recapeamento não se preocupam em atender itens de conforto na trafegabilidade dos veículos nas vias e rodovias do país.

Técnicos e profissionais responsáveis pela execução e supervisão das obras de recapeamento devem observar e aplicar métodos executivos através das normas técnicas. Alguns aspectos técnicos devem ser empregados no recapeamento das vias sem interferir na qualidade do pavimento asfáltico, afim de que não seja reduzido o tempo útil dos revestimentos asfálticos.

Buracos (panelas), trincas e outras patologias quando identificadas devem ser  adequadamente solucionadas evitando assim o risco de deslocamento, e os danos irreparáveis que possam exigir a reconstrução completa da estrutura. Diversos são os materiais utilizados na execução do pavimento das vias, os principais são: a lama asfáltica, SMA – Stone Matrix Asphalt, CBUQ e asfalto-borracha.

A lama asfáltica é um revestimento betuminoso constituído de elementos minerais de dimensões reduzidas, que é utilizada na conservação de pavimentos asfálticos de modo preventivo e corretivo. Não é recomendado o uso como reforço estrutural do pavimento, e sim uma camada que protege, impermeabiliza e prolonga a vida útil do pavimento, reduzindo a penetração de água e consequentemente a oxidação do ligante asfáltico das camadas estruturais.

Lama asfáltica

A SMA – Stone Matrix Asphalt conhecida também por pedra-matriz de asfalto foi desenvolvido na década de 1960 na Alemanha é um material de revestimento durável resistente, e adequado às estradas de tráfego intenso. O SMA é o material mais utilizado na Europa, Austrália, Estados Unidos e Canadá, sendo esta a opção mais durável para a pavimentação de ruas e rodovias. O SMA é composto por uma grossa camada de agregado que interliga a estrutura de pedra e resiste à deformação permanente. A estrutura de pedra é preenchida por mastique de betumes e com enchimentos para que, as fibras sejam adicionadas proporcionando estabilidade e evitando a drenagem da massa.

SMA – Stone Matrix Asphalt

O CBUQ – Concreto Betuminoso Usinado a Quente é um dos materiais mais utilizados no recapeamento de vias, por ser um material com alta flexibilidade e excelente resistência de esforços de flexão. Porém, é um material que se deteriora rapidamente principalmente quando ocorrem falhas no processo de execução. Outro ponto negativo é o fato de que, a maioria das cidades brasileiras usa este tipo de material para a conservação e manutenção periódica das vias de acesso.

Segundo Bernucci, o CBUQ é um produto obtido da mistura de agregados de vários tamanhos e cimento asfáltico, a sua principal característica quando aquecidos é a viscosidade-temperatura do ligante.

CBUQ – Concreto Betuminoso Usinado a Quente

O asfalto-borracha é um método ecologicamente correto, pois reutiliza pneus velhos e inservíveis. A mistura de borracha de pneus triturada em misturas asfálticas é mais resistente e duradouro, porém o maior obstáculo para a utilização deste tipo de asfalto ainda é o elevado custo.

Asfalto borracha

As camadas típicas de um pavimento são: o revestimento, a base, a sub-base e o reforço de subleito. O revestimento asfáltico é usado como acabamento final e tem a função de impermeabilizar e dar resistência à derrapagem. A base ou concreto asfáltico alivia as tensões nas camadas inferiores distribuindo-as, a principal função é permitir a drenagem da água que se infiltra pelos drenos e resiste às deformações. A sub-base reduz a espessura das camadas e possui as mesmas funções da base. É no subleito que as camadas estruturais repousam após a conclusão dos serviços de cortes e aterros.

camadas típicas de um pavimento

A falta de conservação e manutenção adequada das vias e rodovias mal conservadas tem ocasionado uma série de transtornos aos cidadãos que sofrem com o desgaste do asfalto. Buracos, pedregulhos soltos, trincas e falta de sinalização adequada que alerte o problema das falhas com manutenção são alguns dos transtornos mais decorrentes. Os pedestres e condutores de veículos devem estar sempre em alerta quanto à estrutura física das vias e rodovias para não se envolverem em acidentes de trânsito.

Buracos nas estradas

O Brasil ainda está longe de seguir exemplos de países que priorizam o conforto e a segurança nas vias e rodovias. Quem sabe no futuro próximo não possamos seguir o exemplo dos países desenvolvidos seguindo seus melhores exemplos de recapeamento? Quem não gostaria de trafegar por uma rodovia como a foto abaixo?

Rodovias da Europa

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Marisa Fonseca Diniz

Licença Creative Commons
O trabalho Glacê ou asfalto? de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://marisadiniz.wordpress.com/2014/01/26/glace-ou-asfalto/ ‎.

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